Brasília, dia 16 de janeiro. O fogo se espalha no horizonte. O calor do dia inteiro pode queimar gente, bichos e cerrado. Mas a cidade é imune ao fogo. Suas construções resistem a tudo. Cinquenta anos depois, a capital está em reforma. A Catedral se vestiu de branco e guardou seus vitrais por enquanto.Nave em Repouso
Brasília, dia 16 de janeiro. O fogo se espalha no horizonte. O calor do dia inteiro pode queimar gente, bichos e cerrado. Mas a cidade é imune ao fogo. Suas construções resistem a tudo. Cinquenta anos depois, a capital está em reforma. A Catedral se vestiu de branco e guardou seus vitrais por enquanto.Pedras e Fogo
Brasília, dia 5 de dezembro. Gabo chegou da Costa Rica na noite anterior. Mas não é a primeira vez que vem ao Brasil. Casou com uma menina de Olinda e trabalha nos sinais das capitais pra sustentar a filha. Conhece o fogo. Só acende as chamas quando o sol se põe. Dos carros as pessoas buzinam pra dar dinheiro. Um menino de rua veio pedir no mesmo sinal. Agora as pessoas fecham os vidros. As chamas se apagam. O menino quer dinheiro. Precisa do brilho do crack. O vendedor se esconde no estacionamento ao lado.
Escondidos
Brasília, dia 1° de dezembro. Planalto Central volta à velha rotina com a mudança do tempo. Na cidade se procura e se encontra, e se perde. Alguns se escondem na sua invisibilidade marginal, rastejando por baixo das pedras portuguesas, soterrando suas estruturas por dentro das artérias quentes da cidade, sentindo por cima os passos pesados da sociedade. Na cidade há uma guerra surda entre Brasiliários que pegam sua comida do lixo e os que pegam sua comida da mesa.
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