Uma Cidade Sem Mar

Brasília, dia 15 de fevereiro. Lago Paranoá.

Tesourinha

Brasília, dia 14 de fevereiro. Essa cidade parece até que foi feita para os carros. "Mas a gente toma conta". Como as meninas que, no caminho de volta pra casa, escorregam na rampa interna do viaduto, indo em direção aos carros que fazem as tesourinhas no Setor de Clubes Sul, aos pés da Ponte JK.

Transcendendo

Brasília, dia 13 de fevereiro. Brasiliária segue o caminho para um novo nível de consciência pela rampa celestial do Museu Nacional.

O Corpo que vai

Brasília, dia 12 de fevereiro. Depois de vagar pelas calçadas desertas da cidade, ele retorna para se rematerializar na existência do gari da W3 Sul.

Cidade Labirinto

Brasília, dia 11 de fevereiro. Brasiliários são controlados por complexo conjunto de códigos de civilização. Luzes vermelhas têm o poder de interromper o fluxo de grandes massas de grupos sociais. Dablius três, eles dois, eixões e asas. Elevados, viadutos. Para seguir à esquerda, tesouras à direita. Aqueles que não se adaptam entram em realidades paralelas ou são expelidos para fora do mundo. Nesse caso, um ônibus espacial se prepara para decolar.

Pankararu

Brasília, dia 3 de fevereiro. O líder Pankararu posa para foto ao lado das emblemáticas torres do Congresso Nacional. Ele esperou o presidente da República no meio do Eixo Monumental, ao lado de outros guerreiros que empunhavam lanças, arcos e flechas. O trânsito foi desviado. Mas apenas um assessor da presidência apareceu. Os Pankararu, que vieram da beira do Rio São Francisco - onde vivem na divisa entre Pernambuco e Bahia - cansaram de conversar com porta-vozes. Querem o fim do projeto de lei que muda a estrutura da FUNAI, e o acordo tem que ser feito entre os dois líderes maiores.

SOS

Brasília, dia 30 de janeiro. Júlia interdita o espaço e escreve em letras garrafais para que todos possam entender..Essa área verde fica do lado da sua casa, mas está ameaçada. A especulação imobiliária quer o lugar para construir apartamentos. A construtora Antares conseguiu autorização para o empreendimento. A Associação do Parque da Sucupira, o Fórum das Ongs do DF e o Movimento Cerrado Vivo reagiram e uma liminar suspendeu temporariamente a autorização. Uma manifestação popular chamou a atenção para o caso. A violência contra o meio ambiente e contra o plano piloto (original) de Brasília estão na mira da UNESCO, que enviará uma equipe à cidade em junho para avaliar o título de Patrimônio da Humanidade.

Davi

Brasília, dia 29 de janeiro. Os 7 mil índios kaingang vivem em pequenas áreas do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo. Com a ausência da FUNAI naqueles territórios, perde-se a mediação nas negociações pela posse da terra, facilitando as invasões de empresas e grandes proprietários. Os kaingang estão acampados à frente do Congresso Nacional desde o dia 16 de janeiro.

Kaingang no Planalto Central

Brasília, dia 25 de janeiro. Indígenas de etnias kaingang, paracatu, pataxó e guarani acamparam próximo ao Congresso Nacional, Palácio da Justiça e Ministério da Justiça. Eles pedem a reativação da FUNAI, fechada em diversas regiões, sem a qual fica ainda mais difícil a luta pela terra e o acesso à saúde.

Estado de Atenção

Brasília, dia 24 de janeiro.