Litoral

Brasília, dia 8 de março. Toda vez que o mar vem é isso. Crescem coqueiros em segundos. Paira o sol poente sem se pôr. Brasiliários correm na mesma direção. Até que pára a brisa, some a maresia. Volta o cerrado.

Fugir da cidade

Brasília, dia 6 de março. Os prédios implodem. Desta vez sem aviso.  A cidade será varrida de novo. Brasiliária foge da transformação em pressa disfarçada.

Sinal Fechado

Brasília, dia 4 de março. Um irá atravessar a rua. O outro não. Um irá olhar para trás. O outro não. Um irá se molhar na chuva. O outro não.

Quando esqueço como foi o dia

Brasília, dia 3 de março. Souto pensou em correr. Brasas podiam cair. Mas qualquer abrigo ficava a duas longas pistas dali. A cidade é aberta. Souto andou devagar. O céu se acalmou.

Brasília 18h

Brasília, dia 1° de março. A cidade girou mais uma vez. Acontece sempre que grandes grupos de brasiliários pisam com mais força sobre a faixa de pedestre da Rodoviária. Ela fica em cima do Eixo Monumental.

Brasília em Movimento

Brasília, dia 25 de fevereiro. O mundo mexeu. A cidade segurou mais firme seus alicerces e lançou suas nuvens, como ondas, cobrindo um dia que deveria terminar mais cedo. O organismo vivo de Brasília se deslocou a sudoeste, com impaciência. Os cristais subterrâneos balançaram mas não saíram do lugar.

Realidades Paralelas

Brasília, dia 23 de fevereiro. Encontrei Joana a caminho de um restaurante no final da Asa Aul. Ela andava entre os carros de cabeça erguida e um olhar que atravessava o tempo. Atravessava as pessoas, as quadras, a fome. Por isso que reencontrá-la dentro do restaurante foi qualquer coisa parecida com uma coincidência. Eu estava lá para almoçar, ela, para barganhar um copo de suco. Do alto de sua elegância, o mau cheiro da vida das ruas quase surpreende. Joana leva nas mãos o que diz ser os originais de um manuscrito sobre o crime organizado no país. Quem se aproxima dela é logo entrevistado. Pediu uma caneta, que a dela já havia se perdido: "Meu caro, a que Comando você pertence?"

Novos Candangos

Brasília, dia 19 de fevereiro. Em homenagem aos 80 mil trabalhadores que construíram a cidade de Brasília, Bruno Giorgi ergueu a escultura em bronze Os Guerreiros, em 1959. Cinquenta anos depois, Os Candangos - como ficaram mais conhecidos - acompanham uma nova geração de operários que trabalham na reforma da capital.

Sem Fantasia

Brasília, dia 17 de fevereiro.

Lavagem dos Três Poderes

Brasília, dia 16 de fevereiro. Dona Alice usa a mangueira para lavar a Praça dos Três Poderes. Ela começa à porta do Supremo Tribunal Federal. Do lado oposto, fica o Palácio do Planalto. E à esquerda o Congresso Nacional. Mas tudo o que se pode ver é a Pira da Pátria de chama apagada.