Choverá

Brasília, dia 19 de janeiro. O sol se põe e um temporal não espera sua hora, varre a cidade com sua cortina de água.

Um Índio

Brasília, dia 18 de janeiro. Dois seres em destaque. Um pé de buriti tombado como patrimônio natural. Um índio catador de latinhas. Ele só toma banho nas fontes aos domingos. "Porque nos outros dias tem muita gente passando." O banho acontece entre o Tribunal de Justiça e o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

A Rainha da Paz

Brasília, dia 17 de janeiro. O tempo muda, viaja entre extremos meteorológicos de um dia para o outro. Leva a outra catedral a levitar por segundos. Fenômenos do Planalto Central.

Nave em Repouso

Brasília, dia 16 de janeiro. O fogo se espalha no horizonte. O calor do dia inteiro pode queimar gente, bichos e cerrado. Mas a cidade é imune ao fogo. Suas construções resistem a tudo. Cinquenta anos depois, a capital está em reforma. A Catedral se vestiu de branco e guardou seus vitrais por enquanto.

Chapéu

Brasília, dia 15 de janeiro. Agora a chuva só vem à noite. Mas vem com tanta força que atravessa asfaltos. Só é aparada por grandes escudos epidérmicos naturais.

Dentro das Luzes da Cidade

Brasília, dia 8 de dezembro. Um dia a família cansa da calçada e da venda de balas. Abre o guarda-chuva e rompe o colorido da noite na direção de casa. A chuva para e o futuro não se guarda mais.

À Espera

Brasília, dia 7 de dezembro. Em um ponto difuso entre a escuridão do Cerrado e o Eixo Monumental, passageiros esperam o recolhedor nebuloso.

Cálice

Brasília, dia 6 de dezembro. De veias abertas e sangue correndo. Até que a cidade o esqueça.


Pedras e Fogo


 
Brasília, dia 5 de dezembro. Gabo chegou da Costa Rica na noite anterior. Mas não é a primeira vez que vem ao Brasil. Casou com uma menina de Olinda e trabalha nos sinais das capitais pra sustentar a filha. Conhece o fogo. Só acende as chamas quando o sol se põe. Dos carros as pessoas buzinam pra dar dinheiro. Um menino de rua veio pedir no mesmo sinal. Agora as pessoas fecham os vidros. As chamas se apagam. O menino quer dinheiro. Precisa do brilho do crack. O vendedor se esconde no estacionamento ao lado.

Operários e Espaçonaves

Brasília, dia 4 de dezembro. Primeiros raios de sol iluminam operários nas crateras da lua. Estão ali desde a escuridão. Entre a cúpula da Catedral e o anel do Museu Nacional eles esperam o primeiro ônibus que partirá para as novas construções da cidade-monumento.