Um Índio
Brasília, dia 18 de janeiro. Dois seres em destaque. Um pé de buriti tombado como patrimônio natural. Um índio catador de latinhas. Ele só toma banho nas fontes aos domingos. "Porque nos outros dias tem muita gente passando." O banho acontece entre o Tribunal de Justiça e o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.Nave em Repouso
Brasília, dia 16 de janeiro. O fogo se espalha no horizonte. O calor do dia inteiro pode queimar gente, bichos e cerrado. Mas a cidade é imune ao fogo. Suas construções resistem a tudo. Cinquenta anos depois, a capital está em reforma. A Catedral se vestiu de branco e guardou seus vitrais por enquanto.Pedras e Fogo
Brasília, dia 5 de dezembro. Gabo chegou da Costa Rica na noite anterior. Mas não é a primeira vez que vem ao Brasil. Casou com uma menina de Olinda e trabalha nos sinais das capitais pra sustentar a filha. Conhece o fogo. Só acende as chamas quando o sol se põe. Dos carros as pessoas buzinam pra dar dinheiro. Um menino de rua veio pedir no mesmo sinal. Agora as pessoas fecham os vidros. As chamas se apagam. O menino quer dinheiro. Precisa do brilho do crack. O vendedor se esconde no estacionamento ao lado.
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