O Atravessador

Brasília, dia 8 de novembro. O servidor público vai atravessar na sua frente. Ao meio-dia ele foi liberado para o almoço. Mas não sabe se voltará.

As Ruas

Brasília, dia 7 de novembro. Choverá durante dias. Guarda-chuvas cobrirão as pessoas. Ruas correrão pela cidade, buscando abrigo.

O Flutuador


Brasília, dia 6 de novembro. Boca da noite no Setor Comercial Sul. Chuva varre a cidade. O Flutuador atravessa o centro em direção a casa.

O Templo

Brasília, dia 5 de novembro. Você verá a mesma catedral por trás de uma visão embaçada de chuva, fumaça e lágrima. Velhos fantasmas.


O Observador

Brasília, dia 4 de novembro. Sudoeste cercado. Sobre a cabeça, o temporal. Planalto Central do Brasil.

Encontro Marcado

Brasília, dia 3 de novembro. No Monumento JK o casal não é de verdade. O Juscelino que acena também não é de verdade. Mas dentro do local está o corpo do ex-presidente. A realidade é mais sombria.

Umidade

Brasília, dia 2 de novembro. Depois da chuva. Cerrado bem alimentado. Verde, flores, renovação. Mas não vemos isso. Andando nos arredores do cinema da Academia de Tênis, no caminho perdido que leva ao lago.

Olhe para cima

Brasília, dia 1° de novembro. Antes da chuva. Céu do sudoeste. As nuvens vencendo a luz.

Sombras e Medos


Brasília, dia 31 de outubro. Catedral Militar Rainha da Paz. A outra catedral da capital. A referência de entrada para o sudoeste. Passe pela frente todos os dias. Quando o sinal estiver fechado, você será obrigado a ficar parado, observando. Será sempre noite. A luz virá do chão. Os carros apertados na frente vivem dizendo que tem muita gente lá dentro. Mas você não verá ninguém.

Brasília Queima

Brasília, dia 30 de outubro. Vai anoitecer. E a guerra nas alturas já vai começar.